O filme
Após vários anos, os crimes sexuais envolvendo adolescentes ainda nao foram eliminados no Japão. Estes crimes ultrapassaram as grandes cidades e, hoje, infelizmente esta é a realidade nas cidades rurais como aquela em que os personagens principais deste filme vivem, rodeados pela abundante natureza.
Como medida preventiva contra o "roubo de assentos de bicicletas pertencentes as meninas", Kiyumi e Sayuru
usam uma chave de boca, que parece terrivelmente estranha nas suas mãos frageis para remover estes assentos de suas bicicletas toda as vezes que vão brincar. O assento protegido em seus braços, a fim de afastar os
ladrões, provocam a imagem de um útero.
Também não podemos ignorar as emoções complicadas das meninas nesta idade com relação a "beleza", que é unica nestas idades. Uma preocupa-se, "Meu assento nunca foi roubado, significa que eu não sou atraente", enquanto outra pode dizer,"Não posso deixar de sentir uma sensação de superioridade toda vez que meu assento é roubado." Não é simples. Um dia, as meninas se esquecem de remover os assentos de suas bicicletas alinhadas bem juntinhas. Quando elas retornam, descobrem que só o assento de Sayuru foi roubado. Para Kiyumi que mentiu e se gabou de seu assento "já ter sido roubado três vezes", é natural o sentimento de imensa derrota que ela sente com relação a Sayuru que a faz deixar de vê-la como sua amiga a partir daquele dia.
Na história, as duas meninas se encontram novamente um ano depois. Suspendemos as filmagens, por 1 ano e pedi às duas meninas, que interpretaram Sayuru e Kiyumi, para não se verem completamente durante esse tempo. As duas garotas são da mesma idade na vida real que as personagens no filme, são muito amigas e frequentam escolas secundárias diferentes. Assim, o fato de não se poderem ver foi provavelmente muito mais difícil para elas do que a atuação no set. mesmo assim elas concordaram com este nosso pedido. Talvez tenha sido por causa de seu cabelo curto, mas Kiyumi parecia ter um ar ainda mais jovem do que antes, mesmo estando na realidade um ano mais velhas, com o batom em seus lábios ainda mais definido, contrastando o desequilíbrio entre sua mente e corpo. Entretanto, fomos capazes de capturar lindamente a força inabalável dos olhos de Sayuru enquanto ela atacava, com a agulha de bordar, seus dedos várias vezes ferindo-os e espalhando o sangue por seus lábios.
Embora o final tenha sido dificil, espero que este trabalho que será visto por muitos da nova geração no mundo como uma antecipação de que este é apenas "o começo" e não "o fim", mas rezo para que repercuta no coração da geração mais velha que também já foram adolescentes.
Satoru Sugita |