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Simpósio Internacional incentiva cinema em defesa do meio ambiente

 
O Salão Ilha de Maré, do Hotel Sol Victória Marina, no Corredor da Vitória, promete abrigar os momentos mais calorosos da 37ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia. O espaço recebe nos dias 10, 11 e 12 de setembro o Simpósio Internacional O Cinema em Defesa do Meio Ambiente, apresentando personalidades destacadas para debater a importância do cinema como instrumento de conscientização sobre a questão ambiental e a biodiversidade. Os debates começam sempre às 8h30 e estendem-se até as 12h30. Com a proposta de discutir o desenvolvimento ecologicamente sustentável e os diversos paradigmas contemporâneos sobre meio ambiente no mundo, o Simpósio também vai destacar a produção audiovisual, exibindo filmes durante a Jornada que abordam o tema e trazendo cineastas e atores engajados, como Marcos Palmeira e Noilton Nunes.

Sempre antenada com as principais questões sociais do planeta, a Jornada da Bahia pretende mostrar através do Simpósio que o cinema pode ser uma ampla plataforma de debate sobre ecologia, desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, alimentos transgênicos e muitos outros assuntos tão recorrentes atualmente. Vale destacar que nos anos de 1989 e 1990, devido à falta de patrocinadores, a Jornada não aconteceu nos moldes tradicionais, sendo substituída pelo “Simpósio Internacional do Cinema na Defesa do Meio Ambiente”, que volta á cena agora em 2010. Como destacou a pedagoga e ensaísta Bohumila Araújo, “o Simpósio mostrou claramente que o cinema é um forte meio de comunicação para denunciar e também para conscientizar a população de todas as faixas etárias dos efeitos danosos que a devastação da natureza pode causar a toda a humanidade”.

O líder seringueiro Chico Mendes, assassinado por defender a exploração sustentável da floresta amazônica, foi escolhido como patrono do Simpósio que teve o Cacique Raoni como um dos principais nomes presentes (mais sobre os Simpósios de 1989 e 1990 no artigo assinado por Bohumila Araújo).

Programação

Para a sexta-feira, primeiro dia do Simpósio, o tema selecionado é “O Meio Ambiente Urbano – Rural – Florestal”. A mesa será mediada pelo arquiteto e urbanista alemão radicado em Salvador, Carl Von Hauenschild, membro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-BA), ocupando atualmente a vice-presidência do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco).

A primeira palestra fica a cargo do arquiteto e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo Ormindo Azevedo, um dos principais críticos do crescimento desordenado da capital baiana. Em artigo publicado à época do 460° aniversário de Salvador, Ormindo escreveu que “em 60 anos de ‘laissez-faire’, a cidade acumulou índices assustadores de compactação demográfica e veicular, concentração de pobreza, insegurança e destruição do meio ambiente, que apontam para seu colapso em curto prazo. A cidade possui hoje 4.172 habitantes por km², densidade superior à de Bombaim, segunda colocada”.

Também no primeiro dia, fala o ator e cineasta Marcos Palmeira que, além de difundir a preservação do planeta através dos seus trabalhos no audiovisual, vem se dedicando à produção de alimentos orgânicos em sua fazenda, no interior do Rio de Janeiro. "Descobri o mundo maravilhoso da sustentabilidade", diz o ator, que hoje produz quase 60 itens, entre verduras, legumes, frutas e laticínios. "Consumindo produtos orgânicos, você não só está fazendo bem para a sua saúde como também ajuda na preservação do planeta e na fixação do homem no campo. É um produto ético - e ética é coisa rara hoje em dia”.

Encerrando os trabalhos do dia 10, teremos a apresentação do ambientalista Marcos Mariani. Engenheiro Agrônomo graduado pela Universidade Federal de Viçosa, Mariani trabalha na Amazônia desde 1997, ocupando a diretoria de uma grande empresa agropecuária. A partir de sua experiência no sul do Pará, em uma região de fronteira agrícola onde a presença do estado vem se mostrando insuficiente para conter os desmatamentos e as queimadas, resolveu em 2006, junto com amigos, fundar a Associação Preserve Amazônia, uma ONG com sede em Brasília que nasceu com o objetivo de contribuir para a redução do desmatamento na floresta amazônica.

O Simpósio tem prosseguimento no sábado, com o tema “Produção Audiovisual e a Defesa do Meio Ambiente”. Para mediar a mesa foi convidado o antropólogo e assessor do Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Fundação Ford, Aurélio Vianna, que tem se dedicado a projetos que possibilitam a geração de sinergias entre ações já existentes no governo, nas empresas e no terceiro setor, em busca da responsabilidade social.

A primeira palestra do dia é “As mídias audiovisuais na Educação à Distância: a experiência do curso de Educação Ambiental da UFBA”, com a bióloga e professora da UFBA, Sueli Almuiña Holmer Silva, que se destaca pelas críticas consistentes ao modelo de desenvolvimento econômico, social e cultural atuais. A pesquisadora Segundo Almuiña, a sociedade tem que definir o que realmente tem significado para sua sobrevivência. “Se consumirmos tudo que a tecnologia põe em nosso olhar não será possível uma mudança significativa. Falta investimento na área educativa, formar cidadãos para que eles sejam capazes de atuar de alguma maneira em sua comunidade, em sua empresa o tempo inteiro. Todos devem fazer educação ambiental”.

Na sequência do segundo dia do Simpósio o palestrante é o cineasta e pesquisador Noilton Nunes, um dos mais atuantes participantes da Jornada de Cinema da Bahia. Selecionado e premiado em festivais de cinema do Brasil e do exterior, é também fotógrafo, montador e diretor de mais de 30 curtas-metragem e documentários. Noilton foi presidente da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) e criador dos projetos “O Cineasta do Mês” e “Que filme é esse?”, além de ser professor de cinema.

Para o último dia do Simpósio o tema será “Reforma Agrária e Meio Ambiente”, com mediação do escritor e jornalista Eric Nepomuceno, que atualmente apresenta o programa “Sangue Latino”, no Canal Brasil, recebendo a cada semana convidados de toda a América Latina para conversas instigantes sobre o Brasil e seus vizinhos. A programação da Jornada 2010 irá exibir um dos episódios da série, com o escritor uruguaio Eduardo Galeano (ver programação).
Os palestrantes do dia são João Pedro Stedile, economista e ativista social, e Fábio Paes, sociólogo e compositor. Stedile é membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do qual é também um dos fundadores, sendo um dos principais defensores da reforma agrária no Brasil. Em suas palestras pelo país a fora, se destaca por falar com bastante clareza sobre a situação atual da luta de classes no campo.

Cantador, poeta popular, historiador e professor da Universidade Católica de Salvador (UCSAL), Fábio Paes é natural da cidade de Serrinha, portal do sertão baiano. Engajado nas causas ecológicas, tem trabalhos belíssimos no cenário da música popular de raiz, principalmente a de matriz popular nordestina, como a canção “Asa do Verão”: Quero ver o tempo passar / Nas asas do verão / Quero ver a vida virar / Um sorriso, uma canção / Quero ver o pássaro cantar / Voando no céu azul / Ver o peixe no mar / Matando a fome na América do Sul / Quero ver o campo verdejar / Com a força de Tupã / Ver a criança brincar no azul da manhã / Quero ver o mundo dançar / Sem fumaça, sem fuzil / Ver o povo se amar / No coração do Brasil