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37ª Jornada de Cinema da Bahia Sessão Cine Acessível:
possibilidade de envolvimento das pessoas com deficiência visual

A progressiva implantação dos meios tecnológicos na sociedade de nosso tempo (vídeos, computadores, CDs, DVDs, etc.) alterou de forma considerável tanto as formas de arquivar e transmitir informações, como os mecanismos de perceber e pensar o mundo. Não é casual, pois, que se fale de civilização da imagem para caracterizar o universo comunicativo contemporâneo. Mais de 94% das informações  que recebem o homem e a mulher contemporâneos entram no cérebro através do sentido da visão e do ouvido. Mais de 80% especificamente através da percepção visual. Embora o percentual não seja tão alto em zonas não urbanas ou em países denominados de terceiro mundo, chegou no entanto a cotas superiores a 50%. O homem multiplica o mundo com suas imagens, vive em um meio ambiente saturado de imagens. Criou um iconosistema, um entorno, em que formas, cores e significados competem entre si “recriando novos” modos de perceber/entender o mundo.

Neste contexto, as pessoas com deficiência visual se vêem limitadas, não só no que diz respeito as questões adaptativas, mas também no que se refere ao acesso às informações culturais através dos suportes habituais (alfabetização, imagens bidimensionais, entre outros). Os meios de comunicação são veículos de informação e difusão de produtos culturais (audiovisuais, multimídia) que têm, em derradeira instância, a função de formar e informar aos cidadãos proporcionando-lhes as ferramentas necessárias para participar ativamente da vida. Porém, as questões não param por aí, as imagens proporcionam experiências. Uma obra audiovisual pode envolver, além do prazer desprovido de intenções, a emoção, a experiência estética, intelectual ou política.

Qualquer imagem pode nos fazer refletir, recordar, ter e trocar idéias, tomar decisões, levando-nos da contemplação a atuação, da estética a ética, do ver ao crer. Possuem um poder transformador sobre quem as olham. Neste sentido, o cinema, a televisão, e os tantos outros meios audiovisuais constituem uma ferramenta essencial de acessibilidade às áreas relacionadas com a cultura e o lazer, uma ferramenta, de construção pessoal, criativa e de critica social.

Já há algum tempo vem sendo desenvolvido o sistema de audiodescrição, que consiste na tradução de imagens em palavras de produtos culturais (filmes, peças de teatro e espetáculos de dança) para o público com deficiência visual. (FRANCO, 2010). Assim, o sistema de audiodescrição das obras audiovisuais para espectadores cegos formará parte de uma perspectiva integradora dos meios de comunicação social.

Neste sentido, a Sessão Cine Acessível visa manter um espaço conquistado num dos maiores eventos cinematográficos da Bahia, a Jornada Internacional  de Cinema da Bahia, que no ano de 2009 deu o primeiro passo neste processo de inclusão, abrindo espaço para exibição de filmes acessíveis para pessoas com deficiência visual, criando um ambiente de difusão da cultura cinematográfica.

Através da projeção de filmes acessíveis na Jornada, passa a existir um lugar de envolvimento das pessoas com deficiência visual com o lazer, reflexão e crítica que toma como perspectiva as potencialidades do cinema para propiciar novos conhecimentos e saberes, além de apontar para a formação de uma comunidade de apreciadores de cinema que possam ser futuros multiplicadores não só no sentido da discussão, mas da exibição e também despertando nestes sujeitos (pessoas com deficiência) o interesse e a possibilidade de serem realizadores.

Nossa proposta de promover a exibição de filmes para pessoas com deficiência visual na 37ª Jornada Internacional de Cinema se deve à necessidade de entender que estes cidadãos têm direitos e deveres como qualquer outro de poder acessar os conteúd os ao “máximo” de sua completude, permitindo-os a se envolver e participar como cidadãos dos diversos processos que uma sociedade promove e permite.

Nesta perspectiva, o cinema será aquilo que se decide que ele seja numa sociedade, num determinado período histórico, num certo estágio de seu desenvolvimento, numa determinada conjuntura político-cultural ou num determinado grupo social (COSTA, 1987).

 

Sandra Rosa
Coordenadora da Sessão Cine Acessível