XXXVI JORNADA INTERNACIONAL DE CINEMA DA BAHIA

SEMINÁRIO INTERNACIONAL

PRESENÇA DE EUCLIDES DA CUNHA
NA ARTE BRASILEIRA CONTEMPORANEA
CEM ANOS DEPOIS

Dia: 11/09
Horario: 09:00 - 12:30
Local: Hotel Sol Victoria Marina
Salão Ilha de Maré


Dia: 12/09
Horario: 09:00 - 12:30
Local: Hotel Sol Victoria Marina
Salão Ilha de Maré


Dia: 13/09
Horario: 09:00 - 12:30
Local: Hotel Sol Victoria Marina
Salão Ilha de Maré

 

A discussão da obra de Euclides da Cunha e sua atualidade na arte brasileira será um dos pontos altos da XXXVI edição da Jornada Internacional de Cinema da Bahia. O Seminário Internacional A Presença de Euclides da Cunha na Arte Brasileira Contemporânea - Cem Anos Depois, acontece nos dias 11, 12 e 13 de setembro, no Salão Ilha de Maré do Hotel Victoria Marina, das 9h às 12h30. As mesas redondas, abertas ao público, contarão com diversos especialistas no assunto e a Jornada prestará uma homenagem ao historiador baiano José Calasans, um dos grandes estudiosos sobre Canudos, falecido em 2002.

A abertura do Seminário será coordenada pelo professor Edivaldo Boaventura. Nesse primeiro dia, 11 de Setembro, a mesa será composta ainda por Bertold Zilly, tradutor e pesquisador alemão; José Carlos Barreto de Santana, reitor da UEFS, e Manoel Neto, historiador e Pesquisador do Centro de Estudos Euclides da Cunha (UNEB), atualmente o mais importante pesquisador da obra de Euclides da Cunha na Bahia.

No segundo dia, 12 de setembro, a mesa é coordenada pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos, responsável pela coordenação dos trabalhos, e composta pelos palestrantes Regina Abreu, escritora e professora da UFRJ, Luitgarde Cavalcante Barros, escritora e pesquisadora da UERJ, e Pedro Vicente Costa Sobrinho, escritor e pesquisador.

No terceiro dia, 13 de Setembro, a mesa é coordenada pelo escritor, jornalista e professor Emiliano José (UFBA) e tem como palestrantes o coordenador geral do Projeto Cultural Os Sertões, Antenor Junior; o cineasta Noilton Nunes; o historiador e Coordenador do Projeto A Caminho dos Sertões de Canudos (UNEB), Roberto Dantas; o cantor e compositor Fábio Paes e pelo escritor e Professor de Literaturas Portuguesa e Brasileira da Universidade de Roma, Aniello Angelo Avella.


Os Sertões

Os Sertões foi um relato feito pelo jornalista Euclides da Cunha sobre a Guerra de Canudos, de novembro de 1896 a outubro de 1897, que terminou com o massacre pelas Forças Armadas do povoado liderado por Antônio Conselheiro (1830-1897). A análise segue o cientificismo do século XIX e a cultura de seu tempo. Republicano convicto, adepto das idéias positivista de Auguste Comte e do evolucionismo de Darwin e Spencer, Euclides da Cunha conheceu o assombro diante da resistência dos sertanejos, mestiços e jagunços que seguiam Antonio Conselheiro, massacrados por tropas muito melhor equipadas e com fileiras de soldados em bem maior número.

Para Regina Abreu, palestrante no segundo dia do Seminário, “
o interessante é perceber que estamos diante de um livro que adquiriu uma força simbólica capaz de desempenhar funções sociais que vão muito além de suas qualidades literárias ou cientificas”. Para a antropóloga, o livro foi sendo investido de uma espécie de valor sagrado, tornando-se citação obrigatória da mais vasta gama de intelectuais brasileiros.

Nascido a partir da anotação minuciosa de Euclides, que cobriu a campanha  de Canudos como correspondente do jornal O Estado de São Paulo,
Os Sertões é um retrato das tendências conflituosas da nossa realidade. Segundo Regina, autora de O Enigma de Os Sertões, a obra atravessou esses cem anos aureolada por crescente prestígio. Diversas enquetes realizadas em diferentes épocas com intelectuais têm apontado Os Sertões  como uma das obras mais representativas da cultura brasileira, uma espécie de “livro numero 1”, indispensável para quem quer conhecer o Brasil.

No entanto, como adverte o escritor amazonense Milton Hatoum, que defendeu tese de doutorado na USP sobre Euclides da Cunha, “
a linha reta da engenharia e do positivismo, e a crença exagerada no progresso e na ‘civilização’ turvaram um pouco a visão e a análise histórico-social de Euclides sobre o Brasil”.


Personalidade conflituosa

Escritor por acidente”, como se definiu no discurso de posse na Academia Brasileira de Letras em 1906, Euclides fez de tudo um pouco: cadete, engenheiro militar, engenheiro civil, repórter, explorador, cartógrafo adido ao Ministério das Relações Exteriores e professor. Mas o que mais gostava na vida era embrenhar-se pelas entranhas do país, o que fez quando engenheiro pelo interior de São Paulo, como enviado a Canudos e como chefe da expedição de reconhecimento do Alto Purus.

Como adverte Alfredo Bosi, no prefácio de Os Sertões, Euclides percebera o absurdo do massacre daquela luta desigual e injusta. Segundo Bosi, “a interpretação ainda sofre do peso excessivo dado aos fatores do meio físico e da mestiçagem”.