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A XXXVI Jornada Internacional de Cinema da Bahia este ano marca o aniversário de Santiago Alvarez com uma mostra desse importante documentarista cubano. Na Retrospectiva Homenagem Especial SANTIAGO ALVAREZ 90 ANOS serão exibidos os filmes Now (6’), Hanoi, Mastes 13 (18’), El Tigre Saltó Y Mató...Pero Morirá...Morirá (16’), L.B.J (18’), Ciclón (22’), Mi Hermano Fidel (17’), 79 Primaveras (25’), Abril de Viet-Nam en El Año del Gato (120’) e La Guerra Olvidada (19’).
O cineasta, que completaria 90 anos se estivesse vivo, estreou no cinema somente aos 40 anos. Sua obra, que abarca mais de 600 cinejornais, três vídeos e 96 filmes, é composta primordialmente de documentários, gênero preferido do cineasta. Estes 600 cinejornais, assim como os outros noticieros do Instituto Cubano del Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC), foram incorporados ao registro “Memória do Mundo” da UNESCO. Segundo o organismo, “trata-se de documentos históricos únicos em seu gênero porque mostram as guerras de independência de muitas colônias africanas e outros eventos internacionais desse período, ilustrativos da crescente bipolarização do mundo”.
Criador do ICAIC e documentarista cubano mais premiado da história, Alvarez viajou com sua câmera por mais de 100 países e registrou os principais acontecimentos e líderes de esquerda da segunda metade do século XX, como Fidel Castro e Che Guevara, Ho Chi Mihn, Salvador Allende, Samora Machel, Stokeley Carmichael e Victor Jara.
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O documentarista cubano participou da Jornada em três ocasiões. Em 1986 presenciou a primeira retrospectiva de sua obra no Brasil, durante a XV Jornada Internacional de Cinema da Bahia e foi o presidente de honra do Júri Oficial. Daí em diante sua ligação com a Jornada e com a Bahia foi cada vez mais se estreitando. No mesmo ano co-dirigiu com o baiano Orlando Senna o filme Brascuba, primeira co-produção Brasil-Cuba. Documentário rodado em 1986 que mostra a visão do cineasta cubano sobre o Brasil e a visão de um brasileiro, Orlando Senna, sobre Cuba. Em 1993 volta à Bahia para filmar a Conferência Ibero-Americana e assiste à exibição de Brascuba durante a Jornada daquele ano.
Em 1994, mais uma vez participa ativamente da Jornada. Santiago Alvarez esteve presente no lançamento do livro O Olho da Revolução: O Cinema Urgente de Santiago Alvarez, de Amir Labaki, lançado durante o festival na Galeria Cañizares da Escola de Belas Artes da UFBA. Um momento especial aconteceu durante a exibição em praça pública do curta Now, que combina a música "Hava Naguila", interpretada pela voz marcante de Lena Horne, e imagens sequenciadas sobre a luta dos negros contra a discriminação racial nos Estados Unidos, quando Alvarez chorou de emoção ao ver o público vibrando com o seu filme. Este curta de apenas seis minutos, realizado em 1965, é considerado um precursor da linguagem videoclíptica.
Em 1998, ano do seu falecimento, a Jornada prestou homenagem com fotos e textos na exposição dedicada ao mais importante documentarista de Cuba e exibiu o média-metragem Ave Bahia!, dirigido por Alvarez em 1993, e Brascuba. |