XXXVI JORNADA INTERNACIONAL DE CINEMA DA BAHIA
HOMENAGEM PÓSTUMA - In Memoriam
|
|
|
Conselheiros da Jornada que se foram |
|
“Todas as pessoas que se foram em 2009
eram Conselheiros da Jornada
ligados à difusão do cinema”
|
|
Ao responder sobre como enxerga a morte,
Guido Araújo vai mais além: “Eu adoro a vida!”.
Prestamos sempre uma homenagem “In Memoriam”
aos colegas que se foram.
São pessoas que contribuíram, cada um da sua forma,
para o sucesso da Jornada. |
|
Rudá de Andrade e
José Tavares de Barros
|
| |
O último encontro de Guido com José Tavares de Barros
se deu de forma inusitada, em novembro de 2008.
De malas prontas para o Festival de Brasília,
onde ia participar de uma mesa sobre Nelson Pereira do Santos,
Guido foi surpreendido por um telefonema do
Movimento Cineclubista de Belo Horizonte.
Sem receber muitos detalhes ouviu uma convocação
em caráter de urgência da sua presença na capital mineira.
Mal desembarcou em Brasília rumou para o
aeroporto com destino para Minas Gerais.
Ao chegar soube que receberia, junto com Tavares de Barros,
o Prêmio Paulo Emílio do Cineclubismo Brasileiro,
em comemoração aos 80 anos do Movimento Cineclubista.
Na ocasião, Barros já se encontrava doente e
não podia sair de casa. Então, a solução foi fazer a premiação
na casa do próprio. E assim foi feito.
Um momento de muita emoção para todos
que culminou com o pedido de Barros para a sua esposa:
“Heliana, o momento pede uma champagne!”
Três meses depois, em fevereiro de 2009,
logo após sair do enterro de Rudá de Andrade,
ainda em choque com a perda do amigo,
Guido é mais uma vez surpreendido
por um telefonema da capital mineira:
“É Guido... nosso amigo se foi!”.
Ele sem perceber que quem falara ao telefone
era a esposa de José Tavares de Barros, responde:
“Pois é, eu estou vindo do enterro dele”.
A voz feminina interrompe:
“Não é do Rudá que estou falando. O Barros acabou de falecer!”.
Mais um choque para o amigo e companheiro de tantas Jornadas!
Independente da ligação que Guido tinha com os dois,
ele conta que ambos tinham uma trajetória idêntica.
Rudá, por exemplo, contribuiu muito com o cinema em São Paulo
assim como o José Tavares em Minas Gerais.
Os dois, sem se conhecer, moraram na Itália para estudar cinema,
eram professores de cinema e pesquisadores,
além de articuladores de atividades ligadas à sétima arte
tanto em âmbito nacional quanto internacional.
Sobre seus temperamentos, ambos tinham posturas
bastante diferentes diante da vida.
Enquanto Rudá era “meio boêmio”,
José Tavares tinha uma personalidade “mais acadêmica”.
|
|
Nilda Spencer
|
| |
Além de Grande Dama do Teatro Baiano,
Nilda Spencer era um ser humano maravilhoso.
A lembrança da atriz é marcada pela sua forte personalidade,
atenciosidade e carinho. Anfitriã perfeita,
abriu as portas de sua casa para reuniões do júri e
encantou a todos quando foi jurada da Jornada.
O que mais impressionou Guido foi ver,
no momento do enterro da atriz, seu rosto “bonito,
sereno, como se estivesse ainda viva”.
Emocionado, o cineasta lembra que
“foi a primeira vez em minha vida que eu vi
uma pessoa morta bonita.
Geralmente quando vemos uma pessoa morta
vemos uma pessoa sem coloração.
No caso de Nilda não, ela transmitia tranqüilidade.
As pessoas a beijavam. Eu nunca tinha visto isso!”. |
| |
Nildenor Ourives de Souza
|
| |
Nas últimas edições da Jornada Internacional de Cinema da Bahia
a equipe organizadora foi reforçada pela eficiente
atuação do Coordenador Financeiro do evento,
Nildenor Ourives de Souza.
Formado em Ciências Econômicas e em Administração,
com pós-graduação em Organização, Sistemas e Métodos,
Nildenor nasceu em Seabra, Chapada Diamantina e
fez todos os seus estudos, tanto de graduação
como pós-graduação, na Universidade Federal da Bahia.
Foi também na UFBA que desenvolveu a maioria
das suas atividades profissionais.
Depois de passar pelo Banco Comercial do Nordeste e
Banco do Estado da Bahia, Nildenor trabalhou durante
vários anos no Instituto de Serviço Público-ISP/UFBA
(mais tarde o Centro de Estudos Interdisciplinares para o Setor Público).
Está registrada também a sua atuação na
Divisão de Material da UFBA, FAPEX e
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação.
No Governo de Waldir Pires foi
Diretor Financeiro da Secretaria de Irrigação e
Recursos Hídricos do Estado da Bahia.
Prestou serviços também à Companhia Rural da Bahia-CERB,
Câmara Municipal de Simões Filho e
Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração.
A última ligação que teve com a Jornada,
foi a sua ajuda na revitalização do Clube de Cinema da Bahia,
assumindo inclusive o lugar no Conselho Fiscal.
A sua contribuição para a realização das Jornadas de Cinema
é ligada ao seu profundo conhecimento das
normas que regem o orçamento, execução e
prestação de contas dos projetos e dos eventos.
A sua dedicação e orientação bem fundamentada
contribuíu, sem dúvida, ao sucesso das Jornadas.
Sempre acompanhado da sua esposa Luzia,
participou sobretudo das aberturas e das
exposições do festival que se ressente, este ano,
da sua ausência, pois no início deste ano,
pouco depois de fazer 66 anos, Nildenor faleceu,
deixando uma intransponível lacuna e muita saudade.
Temos certeza que lá de cima está nos acompanhando
e torcendo que a organização da Jornada mais uma vez
consiga vencer as dificuldades ligadas com a tradicional
falta de recursos que o nosso amigo e companheiro
tão bem conhecia de perto.
Todos da equipe que conviveram com Nildenor,
sentem a ausência dele e das três características
que ele unia: sólido conhecimento da sua esfera de atividade,
boa vontade de atender todas as necessidades surgidas
em todas as fases do evento e, sobretudo,
a maneira sempre gentil que era a sua marca registrada.
|
| |
Bernardo Vorobow
|
| |
Colaborador das Jornadas das décadas de 70 e 80,
Bernardo Vorobow “era uma presença constante”.
Bernardo foi programador da Cinemateca Brasileira
por muitos anos e responsável talvez
pelo período mais brilhante da Sala Cinemateca,
quando esta era na Fradique Coutinho, em São Paulo.
|
| |
Mário Cravo Neto
|
|
A sua estréia cinematográfica foi na Jornada de 1973,
onde foi premiado com o filme em Super 8 Lua Diana,
uma filmagem detalhada de uma cirurgia cesariana
que articula-se com imagens poéticas da mãe durante a gravidez.
Filho do escultor Mário Cravo Júnior,
Mariozinho, como era chamado carinhosamente pelos amigos,
desenvolveu trabalhos em escultura,
instalação, cinema e fotografia,
dimensão mais conhecida da sua obra.
Em sua homenagem,
a Jornada vai exibir Um Vento Sagrado,
de José Walter Lima,
último filme fotografado por Mário Cravo Neto.
|
| |
| |