XXXVI JORNADA INTERNACIONAL DE CINEMA DA BAHIA |
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RETROSPECTIVA HOMENAGEM ROSSELLINI |
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Ele é o pai de todos nós. |
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Roberto Rosselini identificou-se tanto com o crescimento do movimento neo-realista de fazer cinema no pós-guerra italiano que corria o risco de tornar-se num simples seguidor desta tecnica cinematografica e nada mais. Este movimento tão influente no seu tempo pode observar-se em tres de seus filmes - ROMA, CIDADE ABERTA; PAISÁ; e ALEMANHA, ANO ZERO - os quais seriam suficientes para assegurar-lhe um lugar de destaque como diretor na historia do cinema. Mas identificar Rossellini simplesmente como um neo-realista, é subestimar drasticamente sua contribuição aos aspectos temáticos da sua arte. Apesar da lenda afirmar, que o estilo neo-realista de Rossellini surgiu devido a escassez de recursos e condições adversas para filmagem presentes imediatamente após a guerra, o diretor sem duvida começou a idealizar o seu estilo quando abortou a filmagem de DESIDERIO em 1943, um precursor em pequena escala do neo-realismo e que Rossellini abandonou no meio da filmagem. Certamente, ele continuou o estilo em PAISÁ e ALEMANHA ANO ZERO, o restante da sua trilogia. Em ambos os filmes, ele delineia o efeito debilitante do pós-guerra sobre a psiquê do homem moderno. O ultimo deles é particularmente poderoso ao advetir sobre o efeito da ideologia nazi na mente de um rapaz, em parte por criticar simultaneamente o fracasso das instituições sociais como a igreja em confrontar a influencia corruptiva do facismo. Os filmes de Rossellini nos anos 50 ocultam algumas de suas armadilhas neorealistas. Ao faze-lo ele dirigiu sua enfase para algo sobre os aspectos espirituais do homem, revelando a instabilidade da vida e do relacionamento humano. STROMBOLI, EUROPA '51, VIAGEM À ITALIA e O MEDO refletem a busca por uma verdade tanscendente semelhante a secular santidade alcançada pelo prior em ROMA, CIDADE ABERTA. Seus filmes nos anos 50, entretanto, flutuaram sem dificuldade entre o envolvimento e a contemplação. Este tipo de entrelaçamento do envolvimento empatico com contemplativo distanciamento tem de ser conduzido sobre os historicos filmes de Rossellini dos anos 60 e 70. O seu uso deliberado das lentes zoom cria no espectador de filmes como VIVA A ITALIA e SANTO AGOSTINHO um delicado distanciamento e a sensação constante de uma maneira sutil de que o ponto de vista do diretor é inevitável. Este manuseio da consciencia do espectador sobre a historia torna seus personagens seremos humanos facilmente identificaveis, através do envolvimento de nossa sensibilidade e emoções. |
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ALEMANHA, ANO ZERO Direção: Roberto Rossellini Produção: Salvo D'Angelo e Roberto Rossellini Roteiro: Roberto Rossellini, Max Kolpé, Sergio Amidei Elenco: Edmund Moeschke, Ernst Pittschau, Ingetraud Hinze, Franz-Otto Krüger, Erich Gühne Musica: Renzo Rossellini Italia - 1948 - 78 min. |
| A história acompanha um menino de doze anos, Edmund Koeler. Edmund vive com seu irmão e irmã junta mente com seu pai doente em um apartamento de um predio bombardeado compartilhado com outras cinco familias. Sua irmã, Eva, é injustamente acusada de se prostituir com oficiais do exército aliado que agora reinam em Berlim. Seu irmão, Karl-Heinz, não se registrou com as novas forças de segurança, porque teme ser punido por ter integrado um regimento Nazi que lutou contra os aliados. Enquanto sua familia se preocupa com seus proprios assuntos, Edmund é praticamente abandonado à sua própria sorte, envolvendo-se com o mercado negro que impera nessa época em Berlim, é enganado por um adulto bem como por um grupo de crianças mais velhas muito mais desembaraçadas na vida de rua que Edmund, este, pelo menos por um tempo, procura preservar algum senso de inocencia infantil. |
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EUROPA '51 Direção: Roberto Rossellini Produção: Roberto Rossellini. Carlo Ponti. Dino De Laurentiis Roteiro: Roberto Rossellini, Sandro De Feo, Mario Pannunzio, Ivo Perilli, Brunello Rondi Elenco: Ingrid Bergman, Alexander Knox Musica: Renzo Rossellini Itália - 1952 - 113 min. |
Irene (Bergman) e George Girard (Knox) são um casal bem sucedido vivendo em Roma no pós-guerra com seu filho Michele
(Sandro Franchina). Durante um jantar com amigos, Michele continuamente tenta conquistar a atenção de sua mãe, mas Irene está mais interessada em ser uma boa anfitriã para seus convidados do que ser uma mãe atenta. Como resultado, Michele
tenta o suicidio caindo diversos andares por uma escadaria, fraturando os quadris. |
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O MEDO Direção: Roberto Rossellini Produção: Herman Millakowsky Roteiro: Roberto Rossellini, Sergio Amidei, Franz von Treuberg Elenco: Ingrid Bergman, Mathias Wieman, Renate Mannhardt, Kurt Kreuger Musica: Renzo Rossellini Italy - 1953 - 75 min |
| Irene Wagner (Bergman), esposa de um eminente cientista alemão Professor Albert Wagner (Wieman), teve um "affair" com Erich Baumann (Kreuger). Ela não o confessou ao seu marido, esperando preservar sua inocencia e um "casamento de sonho". Mas isso despertou-lhe uma sensação de ansiedade e medo. Entretanto, Johann Schultze
(Mannhardt), invejosa ex-namorada de Erich, descobriu este "affair" e começou a chantagear Irene, tornando a tortura psicologica de Irene uma dura realidade. Quando Irene descobre que a extorsão se transforma em uma verdadeira experiencia de medo, ela é conduzida ao suicidio. A historia é narrada em flashback por Irene após sua morte. |
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PAISÁ Direção: Roberto Rossellini Produção: Rod E. Geiger, Roberto Rossellini, Mario Conti Roteiro: Sergio Amidei, Klaus Mann, Federico Fellini, Marcello Pagliero, Alfred Hayes, Vasco Pratolini Elenco: Carmela Sazio, Robert Van Loon, Dots Johnson, Alfonsino Harriet Medin Musica: Renzo Rossellini Itália - 1946 - 134 min |
| Paisà é um filme dividido em 6 episodios. Eles descrevem a campanha italiana durante a 2º Guerra Mundial quando a Alemanha estava sendo derrotada pelos Aliados, utilizando temas como a dificuldade de comunicação entre as pessoas que não falavam a mesma lingua, e como em algum ponto de seu desespero por conversar, acabavam encontrando uma forma de se entenderem. |
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ROMA, CIDADE ABERTA Direçâo: Roberto Rossellini Palma de Ouro - Festival de Cannes |
| Na Roma de 1943 - 1944, se entrelaçam as historias de varias pessoas relacionadas com a resistencia antinazi.
Durante a ocupação, o padre Pietro protege os partisans e, entre outros, dá asilo a um engenheiro comunista:
Manfredi. Pina, uma mulher comum, está noiva de um tipógrafo que luta na resistencia. Quando a policía
o prende, Pina corre desesperadamente atrás do caminhão que o leva, porem cai assassinado por uma rájada de
metralhadora ante os olhos de seu filho. Pouco depois, também o padre Pietro e o engenheiro - são traídos por sua ex-amante viciada em drogas - são presos. Manfredi morre por causa das violentas torturas que lhe inflingem os alemães
para que revele o nome de seus companheiros de resistencia. O padre Pietro sofre o mesmo destino: é fusilado na
presença das crianças da paróquia, entre as quais se encontra o filho òrfão de Pina. |
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SANTO AGOSTINHO |
| Um adoravel conto sobre os ultimos anos do teólogo cristão e "Pai da Igreja" Santo Agostinho, quando este retornou para o Norte da Africa vindo da Italia no final do Seculo IV, o filme foi idealizado por Rossellini para apresentar as muitas analogias vistas por ele entre a decadencia do mundo no tempo de Santo Agostinho, que estava "a beira do abismo" e o mundo contemporaneo com guerra (Vieetnam), poluição e a pobreza global. Rossellini tinha esperança de que os espectadores cansados do cinismo e da falta de moral dos lideres politicos poderiam responder a mensagem de Santo Agostinho, onde caridade e carinho poderiam curar um mundo decadente e apontaria uma saida para sua ruina espiritual. |
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SÓCRATES Direção: Roberto Rossellini Elenco: Jean Sylvère, Anne Caprile Itália - 1970 - 120 min. |
| "Desafiadoramente e majestatico cinema a Rossellini" (Andrew Sarris). SOCRATES foi um filme que Rossellini queria realizar desde o inicio dos anos 50. O filme recria de forma brilhante a antiga Atenas e os ultimos dias do orador e filosofo com quem o diretor claramente se identificava. A maneira serena, as vezes chocante como Rossellini apresenta a vida e filosofia de Socrates, caracteristicamente fixa-se em fatos mais do que em mitos, colocando a prodigiosa figura num cenario pormenorizado da cidade com seus trabalhadores e mercadores, e um mundo domestico mundano com suas comidas, serviçais e uma esposa impulsiva. |
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STROMBOLI Direção: Roberto Rossellini Produção: Roberto Rossellini Roteiro: Roberto Rossellini, Sergio Amidei, Art Cohn, Gian Paolo Callegari, Renzo Cesana Elenco: Ingrid Bergman, Mario Vitale Musica: Renzo Rossellini Italia - 1950 - 107 min. |
Bergman interpreta Karin, uma deslocada Lituana na Italia, que escapou ao internamento de um campo por casar-se com um pescador italiano prisioneiro de guerra (Mario Vitale), com quem ela encontrou-se no campo do outro lado da cerca de arame farpado.
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VIAGEM À ITALIA Direção: Roberto Rossellini Produção: Adolfo Fossataro. Alfredo Guarini, Roberto Rossellini Roteiro: Vitaliano Brancati, Roberto Rossellini Elenco: Ingrid Bergman, George Sanders, Jackie Frost Musica: Renzo Rossellini Italy - 1955 - 97 min. |
| Os Joyce, interpretados por Ingrid Bergman e George Sanders, são um casal britanico que viajaram para a Italia.
Após sua chegada a Napoles, seu relacionamento entra em crise. O sentimento entre eles muda mais ainda numa visita a cidade de Pompeia, onde eles testemunham o descobrimento de uma estátua antiga. |
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| A TOMADA DO PODER POR LUIS XIV Direção: Roberto Rossellini Elenco: Jean-Marie Patte, Raymond Jourdan França - 1966 - 98 min. Este filme é considerado tão importante no periodo final de Rossellini como ROMA, CIDADE ABERTA foi para o inicio de sua carreira. Elogiado pela critica pela sua veracidade, direção e seu visual austeramente suntuoso. Martin Scorsese escreveu recentemente: "Meu pessoalmente favorito é A TOMADA DO PODER POR LUIS XIV, que foi o mais proximo que Rossellini chegou no genero de filmes sobre gangsters - definitivamente ele estava em minha mente quando rodei GOODFELLAS." Rossellini foca as intrigas na corte após a morte do Cardinal Mazarin, quando Luis então com vinte e dois anos sobe ao poder (ou "toma o poder" como está no titulo do filme), muda-se para Versailles, e manipula ministros de estado e nobres para simultaneamente aumentar e manter sua autoridade. |
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