XXXVI JORNADA INTERNACIONAL DE CINEMA DA BAHIA

HOMENAGEM ROBERTO ROSSELLINI

RETROSPECTIVA HOMENAGEM ROSSELLINI

ROMA, CIDADE ABERTA
Local: Espaço Unibanco Glauber Rocha
Dia: 11/09/09 - 17:30 hrs

PAISÁ
Local: Espaço Unibanco Glauber Rocha
Dia: 12/09/09 - 15:30 hrs


ALEMANHA, ANO ZERO
Local: Espaço Unibanco Glauber Rocha
Dia: 13/09/09 - 17:30 hrs

STROMBOLI
Local: Espaço Unibanco Glauber Rocha
Dia: 14/09/09 - 17:30 hrs

O MEDO

Local: Cine-Teatro ICBA
Dia: 14/09/09 - 18:00 hrs


EUROPA '51

Local: Espaço Unibanco Glauber Rocha
Dia: 15/09/09 - 17:30 hrs

VIAGEM À ITALIA
Local: Espaço Unibanco Glauber Rocha
Dia: 15/09/09 - 21:30 hrs


ROSSELLINI CINEMA E EDUCAÇÃO

SÓCRATES
Local: Sala Walter da Silveira
Dia: 13/09/09 - 14:00 hrs

SANTO AGOSTINHO
Local: Sala Walter da Silveira
Dia: 13/09/09 - 18:00 hrs


A TOMADA DO PODER POR LUIS XIV
Local: Cine-Teatro ICBA
Dia: 14/09/09 - 20:00 hrs


Ele é o pai de todos nós.
Martin Scorsese

Eu tenho que confessar que dos filmes italianos que eu mais amo são os de Rossellini.
Bernando Bertolucci

Rossellini deve ser alçado para a posição mais elevada do cinema italiano.
Andrew Sarris

Eu sou um homem simples. Eu prefiro não ser um homem solitário.
Roberto Rossellini

Roberto Rossellini

Roberto Rosselini identificou-se tanto com o crescimento do movimento neo-realista de fazer cinema no pós-guerra italiano que corria o risco de tornar-se num simples seguidor desta tecnica cinematografica e nada mais. Este movimento tão influente no seu tempo pode observar-se em tres de seus filmes - ROMA, CIDADE ABERTA; PAISÁ; e ALEMANHA, ANO ZERO - os quais seriam suficientes para assegurar-lhe um lugar de destaque como diretor na historia do cinema. Mas identificar Rossellini simplesmente como um neo-realista, é subestimar drasticamente sua contribuição aos aspectos temáticos da sua arte.

Como ponto de partida, a preocupação predominante de Rossellini é a importancia do individuo inserido num contexto social que surgiu das cinzas da 2º Guerra Mundial. Em seus primeiros filmes, que muitos historiadores de modo simplista classificam como fascistas, sua preocupação com o individuo não era equilibrada com a preocupação com o contexto social. Onde, um filme como LA NAVE BIANCA, enquanto retrata os marinheiros e a equipe hospitalar, como sensiveis e cuidadosos, ignora seu meio politico-ideologico. É em ROMA, CIDADE ABERTA, apesar da tendencia do diretor ao melodrama, que é considerado como "rito de passagem" de Rossellini para o meio da complexa tematica social que confrontava os individuos no pós-guerra europeu. As duras condições sob as quais foi realizado, sua aparência autentica, e certos toques de naturais deram lhe um ar de veracidade de um cine-jornal, mas sua força primaria deriva inteiramente dos personagens que Rossellini colocou neste ambiente. Excetuando Anna Magnani e Aldo Fabrizi, o elenco foi preenchido por não profissionais que são tão convincentes que tem um efeito magnetico sobre os espectadores. Muitos tem certamente a impressão de que estão assistindo a algo que realmente aconteceu assim.

Apesar da lenda afirmar, que o estilo neo-realista de Rossellini surgiu devido a escassez de recursos e condições adversas para filmagem presentes imediatamente após a guerra, o diretor sem duvida começou a idealizar o seu estilo quando abortou a filmagem de DESIDERIO em 1943, um precursor em pequena escala do neo-realismo e que Rossellini abandonou no meio da filmagem. Certamente, ele continuou o estilo em PAISÁ e ALEMANHA ANO ZERO, o restante da sua trilogia. Em ambos os filmes, ele delineia o efeito debilitante do pós-guerra sobre a psiquê do homem moderno. O ultimo deles é particularmente poderoso ao advetir sobre o efeito da ideologia nazi na mente de um rapaz, em parte por criticar simultaneamente o fracasso das instituições sociais como a igreja em confrontar a influencia corruptiva do facismo.

Os filmes de Rossellini nos anos 50 ocultam algumas de suas armadilhas neorealistas. Ao faze-lo ele dirigiu sua enfase para algo sobre os aspectos espirituais do homem, revelando a instabilidade da vida e do relacionamento humano. STROMBOLI, EUROPA '51, VIAGEM À ITALIA e O MEDO refletem a busca por uma verdade tanscendente semelhante a secular santidade alcançada pelo prior em ROMA, CIDADE ABERTA. Seus filmes nos anos 50, entretanto, flutuaram sem dificuldade entre o envolvimento e a contemplação.

Isto se torna particularmente óbvio nos seus filmes com Ingrid Bergman, mas é bem exemplificado por VIAGEM À ITALIA com sua aparencia de diversão questionando o verdadeiro sentido da vida. Todos os personagens no filme na realidade estão procurando sua alma. Sua pouca ação tem relativamente pouca importancia já que o foco principal e o desenvolvimento dos personagens mais do que reação aos fatos é o crescimento de sua aspiração espiritual. Neste sentido, sua estrutura narrativa lembra um neorealismo do tipo praticado por De Sica em UMBERTO D (sem a excessiva emocionalidade) e agora reafirma a preocupação de Rossellini com seus amigos e com a Italia. Ao mesmo tempo, pela sua restrição a ações, ele molda a empatia do espectador pelos seus personagens permitindo-lhe participar no filme somente no sentido de ser companheiro dos varios personagens. O público mentalmente está livre para sair e passear fora da historia, que ele sem duvida faz, somente para descobrir que seu envolvimento no desenvolvimento espiritual do personagem não foi alterado já que sua simpatia não está baseada sobre a ação física da trama.

Este tipo de entrelaçamento do envolvimento empatico com contemplativo distanciamento tem de ser conduzido sobre os historicos filmes de Rossellini dos anos 60 e 70. O seu uso deliberado das lentes zoom cria no espectador de filmes como VIVA A ITALIA e SANTO AGOSTINHO um delicado distanciamento e a sensação constante de uma maneira sutil de que o ponto de vista do diretor é inevitável. Este manuseio da consciencia do espectador sobre a historia torna seus personagens seremos humanos facilmente identificaveis, através do envolvimento de nossa sensibilidade e emoções.

Este, então, é a visivel contradição em toda a obra de Rossellini. Como muito bem exemplificado em sua inicial, filmes neo-realistas puros, sua camera passeia fixando os aspectos fisicos do mundo a nossa volta.
Atualmente, como definido em seus trabalhos mais recentes, ao mesmo tempo que retem e modifica muito do seu foco temporal, o diretor tambem tenta capturar na mesma imagem uma invisivel paisagem
espiritual. Esta, uma constante ao longo de todos seus filmes demonstra sua preocupação com os valores humanos fundamentais e suas aspirações, sejam eles vistos com raiva e imediatismo de ROMA, CIDADE ABERTA ou o desprendimento de VIAGEM À ITALIA.

—Stephen L. Hanson

Alemanha, Ano Zero

ALEMANHA, ANO ZERO





Direção:
Roberto Rossellini
Produção: Salvo D'Angelo e Roberto Rossellini
Roteiro: Roberto Rossellini, Max Kolpé,
Sergio Amidei
Elenco: Edmund Moeschke, Ernst Pittschau, Ingetraud Hinze, Franz-Otto Krüger, Erich Gühne
Musica: Renzo Rossellini
Italia - 1948 - 78 min.
A história acompanha um menino de doze anos, Edmund Koeler. Edmund vive com seu irmão e irmã junta mente com seu pai doente em um apartamento de um predio bombardeado compartilhado com outras cinco familias. Sua irmã, Eva, é injustamente acusada de se prostituir com oficiais do exército aliado que agora reinam em Berlim. Seu irmão, Karl-Heinz, não se registrou com as novas forças de segurança, porque teme ser punido por ter integrado um regimento Nazi que lutou contra os aliados.

Enquanto sua familia se preocupa com seus proprios assuntos, Edmund é praticamente abandonado à sua própria sorte, envolvendo-se com o mercado negro que impera nessa época em Berlim, é enganado por um adulto bem como por um grupo de crianças mais velhas muito mais desembaraçadas na vida de rua que Edmund, este, pelo menos por um tempo, procura preservar algum senso de inocencia infantil.


Europa, 51 EUROPA '51






Direção:
Roberto Rossellini
Produção: Roberto Rossellini. Carlo Ponti. Dino De Laurentiis
Roteiro: Roberto Rossellini, Sandro De Feo, Mario Pannunzio, Ivo Perilli, Brunello Rondi
Elenco: Ingrid Bergman, Alexander Knox
Musica: Renzo Rossellini
Itália - 1952 - 113 min.

Irene (Bergman) e George Girard (Knox) são um casal bem sucedido vivendo em Roma no pós-guerra com seu filho Michele (Sandro Franchina). Durante um jantar com amigos, Michele continuamente tenta conquistar a atenção de sua mãe, mas Irene está mais interessada em ser uma boa anfitriã para seus convidados do que ser uma mãe atenta. Como resultado, Michele tenta o suicidio caindo diversos andares por uma escadaria, fraturando os quadris.

No hospital, Irene promete nunca abandonar Michele e de ser mais atenciosa, mas ele morre logo após por um problema de circulação sanguinea. Irene fica arrasada por 10 dias, até aceitar o auxilio de Andrea Casatti (Ettore Giannini) para ajuda-la a ultrapassar seu sofrimento. Sendo um Comunista, ele a leva para conhecer as partes mais pobres de Roma e a incentiva a dedicar seu tempo e dinheiro para ajudar a população dali.


O Medo O MEDO





Direção:
Roberto Rossellini
Produção: Herman Millakowsky
Roteiro: Roberto Rossellini, Sergio Amidei, Franz von Treuberg
Elenco: Ingrid Bergman, Mathias Wieman, Renate Mannhardt, Kurt Kreuger
Musica: Renzo Rossellini
Italy - 1953 - 75 min
Irene Wagner (Bergman), esposa de um eminente cientista alemão Professor Albert Wagner (Wieman), teve um "affair" com Erich Baumann (Kreuger). Ela não o confessou ao seu marido, esperando preservar sua inocencia e um "casamento de sonho". Mas isso despertou-lhe uma sensação de ansiedade e medo. Entretanto, Johann Schultze (Mannhardt), invejosa ex-namorada de Erich, descobriu este "affair" e começou a chantagear Irene, tornando a tortura psicologica de Irene uma dura realidade. Quando Irene descobre que a extorsão se transforma em uma verdadeira experiencia de medo, ela é conduzida ao suicidio. A historia é narrada em flashback por Irene após sua morte.


Paisá PAISÁ




Direção:
Roberto Rossellini
Produção:
Rod E. Geiger, Roberto Rossellini, Mario Conti
Roteiro: Sergio Amidei, Klaus Mann,
Federico Fellini, Marcello Pagliero,
Alfred Hayes, Vasco Pratolini

Elenco:
Carmela Sazio, Robert Van Loon, Dots Johnson, Alfonsino
Harriet Medin

Musica:
Renzo Rossellini
Itália - 1946 - 134 min
Paisà é um filme dividido em 6 episodios. Eles descrevem a campanha italiana durante a 2º Guerra Mundial quando a Alemanha estava sendo derrotada pelos Aliados, utilizando temas como a dificuldade de comunicação entre as pessoas que não falavam a mesma lingua, e como em algum ponto de seu desespero por conversar, acabavam encontrando uma forma de se entenderem.


Roma, Cidade Aberta ROMA, CIDADE ABERTA

Direçâo: Roberto Rossellini
Produção: Giuseppe Amato, Ferruccio De Martino, Roberto Rossellini
Roteiro: Sergio Amidei, Alberto Consiglio, Federico Fellini, Roberto Rossellini
Música: Renzo Rossellini
Fotografía: Ubaldo Arata
Elenco: Anna Magnani, Aldo Fabrizi, Marcello Plagiero, Nando Bruno, Harry Feist
Italia - 1945 - 100 min.

Palma de Ouro - Festival de Cannes

Na Roma de 1943 - 1944, se entrelaçam as historias de varias pessoas relacionadas com a resistencia antinazi. Durante a ocupação, o padre Pietro protege os partisans e, entre outros, dá asilo a um engenheiro comunista: Manfredi. Pina, uma mulher comum, está noiva de um tipógrafo que luta na resistencia. Quando a policía o prende, Pina corre desesperadamente atrás do caminhão que o leva, porem cai assassinado por uma rájada de metralhadora ante os olhos de seu filho. Pouco depois, também o padre Pietro e o engenheiro - são traídos por sua ex-amante viciada em drogas - são presos. Manfredi morre por causa das violentas torturas que lhe inflingem os alemães para que revele o nome de seus companheiros de resistencia. O padre Pietro sofre o mesmo destino: é fusilado na presença das crianças da paróquia, entre as quais se encontra o filho òrfão de Pina.


Santo Agostinho

SANTO AGOSTINHO












Direção:
Roberto Rossellini
Elenco:
Dary Berkani, Virginio Gazzolo
Itália -
1972 - 117 min.

Um adoravel conto sobre os ultimos anos do teólogo cristão e "Pai da Igreja" Santo Agostinho, quando este retornou para o Norte da Africa vindo da Italia no final do Seculo IV, o filme foi idealizado por Rossellini para apresentar as muitas analogias vistas por ele entre a decadencia do mundo no tempo de Santo Agostinho, que estava "a beira do abismo" e o mundo contemporaneo com guerra (Vieetnam), poluição e a pobreza global. Rossellini tinha esperança de que os espectadores cansados do cinismo e da falta de moral dos lideres politicos poderiam responder a mensagem de Santo Agostinho, onde caridade e carinho poderiam curar um mundo decadente e apontaria uma saida para sua ruina espiritual.


Socrates SÓCRATES












Direção:
Roberto Rossellini
Elenco: Jean Sylvère, Anne Caprile
Itália - 1970 - 120 min.
"Desafiadoramente e majestatico cinema a Rossellini" (Andrew Sarris). SOCRATES foi um filme que Rossellini queria realizar desde o inicio dos anos 50. O filme recria de forma brilhante a antiga Atenas e os ultimos dias do orador e filosofo com quem o diretor claramente se identificava. A maneira serena, as vezes chocante como Rossellini apresenta a vida e filosofia de Socrates, caracteristicamente fixa-se em fatos mais do que em mitos, colocando a prodigiosa figura num cenario pormenorizado da cidade com seus trabalhadores e mercadores, e um mundo domestico mundano com suas comidas, serviçais e uma esposa impulsiva.


Stromboli STROMBOLI










Direção:
Roberto Rossellini
Produção: Roberto Rossellini
Roteiro: Roberto Rossellini, Sergio Amidei, Art Cohn, Gian Paolo Callegari, Renzo Cesana
Elenco: Ingrid Bergman, Mario Vitale
Musica:
Renzo Rossellini
Italia - 1950 - 107 min.

Bergman interpreta Karin, uma deslocada Lituana na Italia, que escapou ao internamento de um campo por casar-se com um pescador italiano prisioneiro de guerra (Mario Vitale), com quem ela encontrou-se no campo do outro lado da cerca de arame farpado.

Ela logo descobriu que a ilha de Stromboli, seu novo lar, é um lugar muito duro e fechado, e a população tradcional muito conservadora, Agindo com hostilidade contra esta estranha mulher estrangeira.

Para dificultar mais Karin fala pouco italiano. Karin torna-se cada vez mais uma pessoa infeliz e eventualmente deseja escapar da ilha vulcão.

O filme tambem com alguns trechos em estilo documentário apresenta a vida dos pescadores e a evacuação da cidade durante uma das erupções do vulcão.. Muitos dos interpretes são os próprios moradores da ilha, com é típico no neo-realismo.

 

Viagem a Italia VIAGEM À ITALIA






Direção:
Roberto Rossellini
Produção: Adolfo Fossataro. Alfredo Guarini, Roberto Rossellini
Roteiro: Vitaliano Brancati, Roberto Rossellini
Elenco: Ingrid Bergman, George Sanders, Jackie Frost
Musica: Renzo Rossellini
Italy - 1955 - 97 min.
Os Joyce, interpretados por Ingrid Bergman e George Sanders, são um casal britanico que viajaram para a Italia. Após sua chegada a Napoles, seu relacionamento entra em crise. O sentimento entre eles muda mais ainda numa visita a cidade de Pompeia, onde eles testemunham o descobrimento de uma estátua antiga.


A TOMADA DO PODER POR LUIS XIV

Direção:
Roberto Rossellini
Elenco:
Jean-Marie Patte, Raymond Jourdan
França - 1966 - 98 min.

Este filme é considerado tão importante no periodo final de Rossellini como ROMA, CIDADE ABERTA foi para o inicio de sua carreira. Elogiado pela critica pela sua veracidade, direção e seu visual austeramente suntuoso. Martin Scorsese escreveu recentemente: "Meu pessoalmente favorito é A TOMADA DO PODER POR LUIS XIV, que foi o mais proximo que Rossellini chegou no genero de filmes sobre gangsters - definitivamente ele estava em minha mente quando rodei GOODFELLAS." Rossellini foca as intrigas na corte após a morte do Cardinal Mazarin, quando Luis então com vinte e dois anos sobe ao poder (ou "toma o poder" como está no titulo do filme), muda-se para Versailles, e manipula ministros de estado e nobres para simultaneamente aumentar e manter sua autoridade.