Antônio Pitanga – Cidadão Cinema
Antônio nasceu no Pelourinho, na Rua dos Democratas. Foi uma espécie de menino de rua, um autêntico capitão das areias das praias de Salvador. Típico personagem de livro do Jorge Amado. De 1951 até 1955 viveu como interno no Colégio São Joaquim, na Cidade Baixa, em Água dos Meninos. No caminho de casa, passava todos os dias pelo Clube Fantoches de Euterpe. Parava sempre para apreciar os atores de teatro ensaiando. Dai o nascimento da amizade com Walter Weber, que foi o grande responsável por seu surgimento no Teatro Mambembe e também pela sua apresentação ao Trigueirinho Neto. Um belo dia, lá pelos idos de 1959, viu um monte de gente aglomerada em frente ao Liceu de Artes e Ofícios. Foi saber o que acontecia e descobriu que estavam fazendo testes para um filme. Entrou na fila, mas foram logo dizendo que ele não tinha o tipo físico pretendido pela produção. Queriam um negro alto, forte, capoeirista. Insistiu tanto que acabou conseguindo fazer o teste no peito e na raça. Não deu outra. Impressionou tão bem a todos que Trigueirinho, o diretor, decidiu na hora acabar com a fila, declarando que já tinha o negro que queria para o papel do personagem Pitanga em Bahia de Todos os Santos. Assim nasceu Antônio Pitanga, hoje um Cidadão Cinema do Brasil, um dos grandes homenageados da Jornada destea ano.
Em 2008, Antônio, o famoso Pitanga, atualmente também conhecido como o pai da Camila e do Rocco, está tocando muito bem sua vida. Faz a novela Os Mutantes - Caminhos do Coração, na TV Record; dá aulas na Oficina de Teatro da UERJ; lendo textos de Nelson Rodrigues nas Tardes de Leituras, com o objetivo de montar em breve uma peça sobre o Universo Rodriguiano, junto com seus filhos e está resgatando também uma paixão de mais de 8 anos: dirigir um filme de longa metragem sobre os Malês, fantástica história do movimento muçulmano ocorrido quando seguidores da religião islâmica se insurgiram contra a falta de liberdade, contra o preconceito racial e organizaram um levante, uma revolta contra seus opressores na Bahia, em 1835.
Entretanto as atividades do nosso homenageado, nosso Cidadão Cinema, não param por aí. Seus olhos brilham ainda mais quando passa a falar do Projeto Viajando na Telinha, que reúne jovens em situação de risco social e menores infratores que vivem em comunidades carentes e/ou favelas do Rio de Janeiro. Através da ONG Pró-Apoio Comunitário, com o apoio da Petrobrás, leva professores de cinema, teatro, música, literatura e cidadania para locais como Chapéu Mangueira, Babilônia, Tavares Bastos, Xerém e Fundação Padre Severino.
Tendo com parceiro o cubano Antonio Molina, professor da Escola de Cinema de Cuba, Pitanga sente que seu sonho já começa a dar frutos. Numa noite de maio último o Cine Odeon, na Cinelândia, ficou lotado. No palco quase não havia espaço para que os mais de 400 alunos dos seus primeiros cursos pudessem se apresentar. Pudessem dizer em alto e bom som os seus nomes e os títulos dos trabalhos que ajudaram a fazer: 18 curtas e um longa documentário sobre as suas próprias vidas. Foi emocionante. Uma lição de vida para todos que tiveram a oportunidade de ver e experimentar a sensação maravilhosa do poderio daquela demonstração de força audiovisual, vinda das lutas do dia a dia de gente que está vencendo as batalhas para não se tornar reféns, vapores, aviões, estafetas do tráfico organizado. Aquela noite ficou como uma prova incontestável de que podemos participar positivamente da transformação de realidades brutais; que podemos colaborar, com um pouco mais de dedicação, para que ocorram melhorias nas condições de vida no cotidiano de milhares de pessoas.
Antônio Pitanga foi Vereador de 1993 a 2000 e Secretário de Estado de Assistência Social Esporte e Lazer de 2000 a 2002, no Rio de Janeiro. Tem no seu currículo filmes como Ganga Zumba, A Grande Cidade, Menino de Engenho, Idade da Terra, Quando o Carnaval Chegar, Ladrões de Cinema, Esse Mundo é Meu, Os Pastores da Noite e muitos outros. Viveu o Teatro Oficina, o Teatro de Arena, o Teatro Opinião. Cantou de perto a nascente Bossa Nova; Trabalhou nas TVs Rio, Record, Tupi, Excelsior, Manchete e Globo. Conviveu com os mais importantes artistas e intelectuais brasileiros das últimas cinco décadas. Em 1976 dirigiu o longa Na Boca do Mundo, num universo insólito, no Pontal de Atafonas, lugar que não existe mais, tomado de volta pelo mar. Nessa sua primeira investida como diretor cinematográfico reuniu uma mulher branca, Norma Bengell, uma mulata, Sibele Rúbia e um negro, ele mesmo, para projetar suas necessidades de comunicação, de expressão, colocando em prática tudo o que acumulava de conhecimentos artísticos e culturais. Por isso tudo e muito mais que não foi destacado, o ser humano Antônio Pitanga, que vai fazer 70 anos em 2009, junto com seus 50 anos de profissão, merece muitas outras homenagens e o título: Cidadão Cinema.
Noilton Nunes
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Dia: 15/09
Hora: 18:00
Local: Cine Teatro ICBA
Dia: 17/09
Hora: 14:00
Local: Sala Walter da Silveira
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GANGA ZUMBA
de Cacá Diegues (1964)
com Antonio Pitanga, Lea Garcia, Elliezer Gomes,, Luiza Maranhão, Antonio Andrade
O filme começa num engenho de cana-de-açúcar, no nordeste brasileiro, entre os séculos XVI e XVII. Inspirados pelo Quilombo dos Palmares, uma comunidade de negros fugidos da escravidão, situada na Serra da Barriga, alguns escravos tramam a fuga para lá. Entre eles, se encontra o jovem Ganga Zumba, futuro líder daquela república revolucionária, a primeira de toda a América.

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Dia: 16/09
Hora: 20:00
Local: Sala Walter da Silveira |

NO TEMPO DE GLAUBER
de Glauber Rocha e Roque Araujo (1986)
com Jece Valadão, Tarcisio Meira, Mauricio do Valle, Carlos Petrovitch, Antonio Pitanga
Imagens antigas de Glauber como diretor e ator, além de dados biográficos e depoimentos sobre o mais importante cineasta brasileiro dos últimos tempos e expoente máximo do Cinema Novo. 'No Tempo de Glauber' é, ainda, a reconstrução de uma obra inacabada de Glauber Rocha, 'Kryzto no Terceiro Mundo', o segundo capítulo de 'A Idade da Terra'. Roque Araújo deu continuidade ao trabalho do cineasta, montando as imagens já filmadas conforme a idéia inicial de Glauber. Nas cenas filmadas de 'Kryzto' aparecem em cena alguns dos atores mais expressivos que já trabalharam com Glauber: Jece Valadão, no papel de Cristo Índio; Tarcísio Meira, como o Cristo Imperador; Maurício do Vale, interpretando Lúcifer; Carlos Petrovitch, como Satanás; Antônio Pitanga, no papel do Deus Negro; Norma Bengell, como Santa Madalena; Paula Gaetán, representando a Virgem Maria; e João Ubaldo Ribeiro, como o Apóstolo.
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